7 de julho de 2010

Idílios vespertinos

Eu faço questão das amizades, enquanto pouco me importa quem serão meus amigos! Vacilou comigo, está ferrado! Tit for tat, uma retaliação do caralho! Nas relações sociais nunca se faz jus a uma troca de ouro por cobre.

Enquanto um de meus lados é muito chato, o outro, pra não ficar pra trás, se faz insuportável; e são ambos que inevitavelmente tenho que aturar. Porém, vejo nas retificações um tremendo desconserto, pois se as coisas estão erradas não quer dizer que elas não estejam nos seus devidos lugares. Sinto as coisas tão intensamente que às vezes chego a interpretar um sentimento como um fato. É que o que sinto realmente se passa como se fosse um acontecido, enquanto me reduzo as experiências sensitivas.

Um dia pode coincidir de eu estar chegando em casa e um ladrão estar arrombando a porta. Mas se realmente for só coincidência, então porque eu devo me importar com os astros? Já li a bíblia toda e até agora estou esperando uma sábia resposta. E se não fosse pela minha ex-idade e as parábolas cheias de metáforas, em uma de minhas primeiras crises existenciais eu já teria lido Heidegger. Talvez isso pudesse ter impedido Jesus de se estereotipar a um conto de fadas. Desse viés, a bíblia se torna muito mais atraente do que Alice no país das maravilhas! Que minha mãe nunca saiba que eu disse isso, mas se por acaso ela souber, espero não destruir seus frágeis castelos metafísicos.


Somente de duas formas se vive as experiências sociais. De maneira ativa ou passiva, embora não exista nenhum caráter sexual neste julgamento. Pra ser mais exato, ou tu vives verdadeiramente vivenciando os fatos ou então passa a ser um mero observador de tudo o que acontece em sua volta; porque independente da forma, viver uma delas inevitavelmente vai te cegar um dos olhos. Pois quem participa das relações, ao fazer isso, fica cego para a origem dos eventos; enquanto quem só analisa, sabe tudo, ver tudo, só que de um modo especulativo e figurado: Ou somos indivíduos ou heróis nesta batalha!


Quando escrevo, as palavras se tornam símbolos do meu quebra-cabeça psicológico. Então deve ser muito interessante pra quem me ler e depois me conhece e pra quem me conhece e depois me ler; pois em ambos os casos as pessoas irão encontrar discrepâncias imensas. Até porque seria impossível eu ser tudo o que escrevo ou o que aparento.

Ricardo Magno

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