11 de novembro de 2011

Macongo



Se não é somente o lado negativo que existe, este passa a ser um insight que vale mais do que todas as viradas de Copérnico. Para quem já havia perdido a esperança por um longo tempo, a crença da cura é apenas mais uma das mortais e mais cruéis formas de tortura da qual não se consegue estar livre.

Nos mais diversos assuntos tudo o que é escrito é feito para interpelar o outro. Pois o tempo não passa de um dos maiores preciosismos para aqueles que estão vivos. Ao estar assim, pouco importa os instantes das horas em relógios e seus malditos segundos.

E se é difícil chegar a algum lugar. Mais difícil seria ter que voltar em um caminho que não tem mais volta. Existem mais de um a nos observar. E o coração chorar pode equivaler ao mesmo que rir nos átomos de outra galáxia, em universos paralelos, contanto que sejam grandezas medidas nas suas razões inversamente proporcionais.

Quando insignificâncias são meros detalhes nas obras do acaso, se a porta batem, e se a porta entram, então por que não deixar abrir? Pode ser o medo superável, pode ser uma enxurrada, e também pode ser o indefectível nada - desamparo aprendido numa compulsão repetitiva que frequentemente causa a negação em negar. Esse é o ato estando a um passo da cura.

Na apreensão de um jogo lógico e de estatística, na mira pode estar conjecturas e cálculos em vista de um custo/beneficio que não sirva de culpa. Jaz o velho sempre que se desconhece as propriedades impossíveis, e se vai lá e simplesmente faz!



Ricco Ricardo

27 de outubro de 2011

Seu Cosminho: O Garanhão da Capricho



Casanova, Alan Delon, Marlon Brando, Mastroianne, James Bond e o Don Juan do sexo. Charles Harper, Alfie, Hank Moody, Christian Troy, Narciso e o estereotipo de Ricardão... ícones reais e fictícios do ideal imaginários dos homens.
N.T

Os intelectuais que não sabem nada fazem a não ser se esconderem por detrás dos livros e dos muros da intelectualidade (pseudo intelectualidade) em um estilo de vida boêmio e hedonista sem que nada façam. É que ainda ontem a inveja estava com raiva somente por ouvir os louvores de outras glórias.

Em um sinal da primeira estirpe, aproveita-se e depois descarta. Mesmo quando não sabem, de uma maneira fútil, extravagante ou recatada, toda mulher gosta de um homem de sucesso, pois elas acreditam farejar a vitória. E coitado são todos aqueles que mal conseguem se olhar no espelho com os joelhos em puras bolas de carne
estouradas.


O Garanhão


A distância é um prato cheio na loteria dos cornos. Mas eu sou cabeça feita, aprendi muito cedo. Não adianta vim - porque já veio - pra cima de mim com carinha de anjo, corpão de violão e lábia de sereia. Não tem jeito! Nunca ponho o coração em uma bandeja.

Relacionamento só é bom no começo! Prazo de validade. Depois estraga. Se a gente tem maturidade pra receber inesperadamente alguém na nossa vida, a gente também tem que saber a hora de deixar a pessoa ir embora, e de irmos embora. E mesmo que ela ou tu não queira, expulse-a ou se expulse da vida alheio. O hospedeiro após um tempo tem por costume e péssimo hábito querer se tornar o dono da casa.

Por isso me tornei um canalha inacessível, jogador inveterado, falso, fingido, mentiroso e cínico. A impossibilidade da posse torna tudo mais atraente, Teoria da Fantasia, diria Lacan. Já estourei algumas de minhas cotas, e somente com uma exclusiva e especial exceção, mulheres divorciadas e com filhos não rola.

Eu vivo para o dinheiro, pois ele é o combustível da orgia. Minha incapacidade de viver com uma pessoa acabou por desenvolver uma necessidade de ter todas. Em um Complexo de Édipo incurável oriundo de uma frustração na fase oral, estou impossibilitado de ter compaixão pela minha mãe. Mal lembro do aniversário da figura materna. Se jogo é jogo e treino é treino, ex-namoradas nunca mais.

Eu sou trapaceiro e covarde. Várias vezes embebedei mulheres para transar. Na verdade, eu fui bonzinho com elas. Tirei todo o sentimento de culpa que elas tinham e os coloquei em mim. Por isso sou um traste, por isso elas me odeiam e amam, porque eu faço com elas o que elas gostariam de fazer, e, em mim elas encontram o acusado ( a cuzada!) perfeito para por a culpa. Depois retornam para suas casas, para a falsa proteção da família, a estabilidade bamba de um casamento, a ilusão de um relacionamento e a solidez liquida de todas as suas fantasias amorosas.

Eu sou o verdadeiro príncipe encantado. Aquele que ainda tem o rosto de um sapo e não saiu do pântano. Elas sabem disso. Eu sei que elas sabem! E até gostam de minha língua gelada e do veneno que sai de minhas costas asquerosa. Em a raposa e as galinhas, quando chego ao bar procuro logo a alma mais fragilizada da noite. Nômade, não tenho terras, desconheço as leis de propriedades privadas, todas em potencial podem ser minhas namoradas. Porque eu brinco. Digo que vou, mas não vou. Digo que dou, mas não dou. Lanço ao longe o osso, mas como um bumerangue ele sempre retorna para mim.

Somente o sexo é capaz de preencher a vida. Por mais ocasional, supérfluo e vazio que o tenham tornado, mesmo assim é somente nele que ainda se pode encontrar uma válvula de escape dentro desses enlaces repetitivos e maçantes. E aqueles que aprendi a chamar de amigos são iguais a mim. Todos os dias um pouco de álcool e tragadas de cigarro nós ajudam a ser assim. Vinho, vodka, cerveja, ice, energético e cachaça... Sem preconceito! Loiras, morenas, brancas, ruivas, altas, baixas, gordas, magras, jovens e coroas... Tudo na ocasião correta na espera do bilhete premiado, a bola da vez sorteada.

Se intimidade demais é uma merda, conhecer as pessoas estraga, pois a grande lição de O Último Tango em Paris era verdade. Não é bom idealizar as pessoas tanto quanto é ótimo não saber de nada. Na modernidade liquida a vida afetiva é uma representação materialista do consumismo. Não fui eu quem fez isso, mas faço questão de seguir as regras.

Trabalho elaborando um disfarce para o tempo e nunca consegui entender porque as vaginas são sempre rodeadas por um belo pedaço de carne. Nunca desejo verdadeiramente elas. Só quero um pouco de prazer anestésico emprestado. Se não dar para viver sozinho e muito menos junto, então tem quem haver uma Trialética Glauberiana.

Finjo o amor, a felicidade, a paixão, o tesão, a raiva, a fidelidade, o ciúmes e o ódio. Faço o que elas querem, o que elas pedem e o que não têm coragem de pedir. Simulo emoções, manipulo arrepios, propositalmente causo calafrios; e para não ser pego, em outras horas, finjo até estar fingindo. Pois se o mundo é uma Sociedade do Espetáculo, elas adoram o quanto sou dissimulado. Elas, sempre que são convidadas, sobem comigo no palco vazio de um Brecht.

Totalmente misantropo, não me importo com irmão – de sangue e os que poderiam ser por consideração -, tios, tias, primos, primas – essas ainda servem para algo -, avôs e avós... Em sumula, a família. Os seres humanos, a humanidade pouco me interessa. Até optaria em ser um macaco. Ao contrário do que os cientistas dizem, o que difere os homens dos demais animais é a capacidade de se interessar por sexo o tempo todo, essa deveria ser a grande evolução da espécie junto do dedo da masturbação, o polegar.

Chave de buceta? Não faço a menor idéia do que signifique isso na prática. As vadias devem se esforçarem mais, pois essas técnicas não funcionam comigo. Para corno todo chifre é pouco, porque é pela cabeça que eles serão enlaçados e arrematados para o céu. E repito! O dedo polegar é uma evolução da punheta.

Sendo o escritor de nenhum livro com constantes crises de inspiração, a fala arrastada com a boca fechada encaixaram-se perfeitamente no personagem principal da minha história: um ambivalente, talentoso e instável que vive trafegando em uma sinuosa jornada de álcool, vícios e mulheres, mas que almeja, ao mesmo tempo e sobretudo, restabelecer a antiga relação amorosa.

Na aura embriagada mágica que envolve toda a minha vida de deboche, exerci com orgulho a libertinagem e fiz coleção de mulheres. Do escroque e conquistador empedernido, percorri bordéis todas as noites para ter relações com mais de 60 meretrizes, fugi das masmorras do disfarce mascarado do dia a dia com uma escapada rocambolesca pelos telhados da imoralidade depois de estar prisioneiro durante muito tempo no princípio da realidade.

Não preciso decorar nomes. É para isso que existem as agendas nos aparelhos de telefone. Disque-puta! É assim que está programado no meu celular. Sem choro, sem desaforo, sem lágrimas! Não suporto pieguice e autopiedade. Apenas me faça o favor de vestir suas roupas e ir embora, não importe a hora. É para isso que existem os táxis. Para que após o coito, a mulher vá embora, o homem vire de lado e durma até tarde. E não seja infantil, adolescente e ridícula, pois sentimentalismo só piora. Se for preciso eu lhe empresto meu corpo, me dôo por algumas horas. Não se sinta uma puta, minha cama é um chiqueiro mesmo. Por aqui já passaram várias vadias, mas com uma ressalva, todas eram arrimo de família, acordavam seis horas da manhã para irem ao trabalho, e nunca deixaram seus companheiros desconfiarem.

Mas se mesmo assim ainda se sentir ofendida, não leve a mal, o tratamento é impessoal, eu sou um filho de uma égua mesmo! É que hoje em dia a inabilidade de se apaixonar se tornou um nível de maturidade superior. Entre o conquistador lírico e o épico prefiro ser o homem das cavernas. Mas sem perder algum tipo de ternura e muito menos ser morto por traição em um modelo de guerrilha feminista nos cafundós da América Latina, é óbvio!



Heitor Monte Cristo

19 de outubro de 2011

A Casa das Orgias

Quando o Declínio do Império chegar, a foda do futuro será as Invasões Bárbaras. Portanto, luzes acesas, até mais tarde, em representação ao sinal da netinha batendo uma para o velho antes de dormir. No lar, doce lar da pornografia e devassidão, promiscuidade primitiva!

O incesto é uma cesta cheia de maças abraçada por uma serpente sedutora a fazer sala no jardim do Éden. Homens medianos, reles humanos, os infra-ordinários! Vivem cheios de culpas sem saberem que a culpa é única e exclusivamente daqueles que se sentem culpados.

É que na foda dos falecidos, o casamento sagrado é o rito sexual do velho e duas netas moças transando no sofá da sala. A velha coroa ,ao banho, se masturba com o sabonete acariciando suas partes baixas em antigos e decadentes laços sociais medievais; cujo, ao neto é permitido, ao longe, uma punheta despudorada.

Antes mesmo da origem da família, do Estado e da sociedade moderna, netos e avôs participavam de bacanais; enquanto budas ditosos e bundas vistosas achavam graça. O grande patriarca usa camisinha, pois fica com pena de gozar na cara das meninas. Dentro da profunda experiência, a vivenciarem o fluxo do intercambio de conhecimento, elas fazem carícias entre si. Uma pele morena e a outra da buceta rosada.

Em rituais sexuais pagões, na abordagens de um sonho, antes de criar coragem o neto bate uma na velha observando-a ao banho. No mesmo sangue e lapide, carnes duras entre as moles, assim se faz este antiquário da carne e ossos de uns sessenta e sete anos de idade. E ele pede bençã após gozarem.

Era o maior rendez-vous de todo a primavera. E sempre feito pelo monarca dominante. Pois quando o ouro se torna a esperança do tolo, se correr o bicho pega, se ficar ele come. Mas se enfrentarmos a besta endemonhiada, finalmente ela desaparece. É que eles não passavam de Júpiter e Juno em um Hiero Gamos familiar.



Heitor Monte Cristo

12 de outubro de 2011

Steve Jobs


“Steve Jobs foi um extraordinário visionário, nosso grande e muito querido amigo, e o guia que iluminou a família Pixar. Ele enxergou o potencial do que a Pixar poderia ser antes de todos nós, e além do que qualquer um jamais imaginou. Steve apostou em nós e acreditou em nosso sonho louco de fazer filmes animados por computação; a única coisa que ele sempre disse foi simplesmente ‘faça maravilhoso’. Ele é o motivo pelo qual a Pixar se tornou o que é, e sua força, integridade e amor pela vida nos tornaram pessoas melhores. Ele permanecerá para sempre no DNA da Pixar. Nosso coração se volta para sua esposa Laurene e seus filhos durante este momento incrivelmente difícil.”

John Lasseter, diretor executivo de criação & Ed Catmull, presidente, Walt Disney e Pixar Animation Studios.
Fonte :rapaduracast

5 de outubro de 2011

A Garota de Jeans


Garota de jeans. Dama de Imperatriz, a costurar na banda com os olhos, o bonito sorriso de pirata, que é acostumado a brincar com a silhueta dos Pica-Paus de Porto Franco. Esta menina se casará com o músico que desde pequeno a via dançando na praia. Agora ela está nas mãos dele enquanto Jesus surtado no meio da rua vende tickets para ir a deus. Olhando para trás ela apenas sorri. A avenida não é tão má.

Cravado em um bar a contar as luzes dos postes na estrada, o pianista dá o seu show no auditório observando tudo enquanto ela canta as canções. Pois as palavras ela sabe. A melodia ela solfeja.

Ela é a única estrela na face do céu a viajar nessa noite de avião. Os olhos morreram de dor pelas cicatrizes incuráveis. E mesmo assim, eles ainda enxergam mais do que o de muitas pessoas. Fria como Nikita, deve apenas ser nuvens nos olhos.

A rolar ao redor do globo em seu cantinho do mundo, ninguém nunca encontrará uma alma mais caridosa. É que ao lado do muro o coração humano é um cativeiro de neve com gelo pegando fogo enquanto soldadinhos de lata fazem uma fileira.

Do outro lado de qualquer vida dada no tempo, às nove horas de um sábado, a freguesia de sempre começa a chegar. Sentado ao lado, um velho homem está fazendo amor com seu tônico e gim. Toca-se uma lembrança que mesmo não se obtendo certeza correlação a letra, percebe-se que ela é triste e doce, pois quando jovens, homens vestem roupas de um homem jovem.

É este é o lugar onde garçonetes praticam a política enquanto homens de negócios vagarosamente se embriagam ao dividir uma bebida chamada solidão. E mesmo assim, ainda é melhor que beber sozinho.

Pelas veredas da via celeste, para esquecer um pouco da vida, tudo soa como um carnaval quando o microfone começa a exalar cheiro de cerveja, com a chegada de gorjetas depositadas no fundo do jarro. 

Ricardo Magno

30 de setembro de 2011

Concha Hermética

Um vagabundo às vezes pode ter lapsos de responsabilidade. E no máximo o que se consegue falar objetivamente é dos seus pés e das pontas dos dedos. No mais, dá-se meia volta e continua-se dentro tentando se libertar da placenta, tentando cortar o cordão umbilical filosófico, poético, literário, sensitivo... Em eterno e inerte estado de concha hermética.


Em mais uma sexta-feira lá continua ele a repetir a velha própria frase de outros tempos. Pois gostar da vida do modo como ela é não é a mesma coisa que conseguir imaginá-la de uma maneira diferente. A vida capitalista tem como propósito a riqueza material; a vida amorosa, o amor; e a religiosa uma total devoção a entidade superior... E é somente assim que se faz uma das perfeições.

Sempre que as impressões tornam tudo imperfeito não se sabe ao certo se o que aconteceu realmente era o que tinha que acontecer, mas fica-se com a certeza relativamente absoluta de que o que aconteceu é apenas o acontecido.

Quando a vida se torna um referencial próprio, o norte que nos guia pode nos levar a lugar nenhum sempre causando surpresa por onde quer que ele vá. Se realmente não se pode encontrar a alma gêmea aos dez anos de idade, então o que é namoro? Se apegar a uma pessoa à medida que criamos uma rotina com ela? Não, não... Levar o hoje à sério como se ele já fizesse parte do passado.

Ao interromper a análise, cessa o transe ao deixar consciente mais um paciente de Freud que não foi curado. E sempre que parecer inevitável remediar, torne-se adepto do amor, porém, em pequenas doses. Assim fica mais fácil controlar.





Ricardo Magno

14 de setembro de 2011

Hemistíquio Herboso

Em versos incabados querendo ou não o acordo é firmado enquanto enfermeiros da morte estão mais preocupados é com a última rodada.


Sem o menor senso de responsabilidade, o porteiro mais parece o filho da puta de um gatekeeper a comandar a barca do inferno. No antro das bactérias calmamente chupa-se uma laranja no instante em que o nécta da vida de várias pessoas está indo embora.

O falso sermão é uma balança com medidas desiguais. Nos momentos raros ao fundo se via um olhar distante nos primeiros enlaces da partida de xadrez com a morte. E é nas horas impróprias que ela aparece dona de uma pontualidade britânica. Conhecer o acordo é não restar a menor dúvida de que o compromisso foi firmado.

Pra fazer piada em uma das entradas o compartimento do sabonete liquido, em ondas de calor, serve para o piscinão de vírus e trilhões de bactérias. Em estado de emergência o relógio não é mais um aliado. Cada segundo se torna único ao sentirmos a presença de partículas temporais da infinitésima parte.

Não se conter ao contar é usar a mesma estratégia de uma represa que abre uma de suas comportas para conter a enxurrado. E segura-se a bomba igual a alguém que tem a capacidade de absorver o impacto revertendo todo o efeito da explosão.

No resumo de tudo os dias passam na folha de um calendário incerto em que cada meia noite nos encurrala na intercessão da cruz simbólica de uma encruzilhada para um novo dia, aja vida ou morte, xeque-mate! Simulações não servem. Elas nunca trazem a verdadeira dimensão da realidade.

No intermédio para a funerária o serviço público não serve nem para colocar um band-aid. Reutilizado o risco é iminente de desenvolver uma infecção generalizada. Se o sofrimento é inevitável, ali ele se torna uma certeza e regra absoluta.





Ricardo Magno

Velhas idéias

Sempre após dar vida a uma de minhas crias, as ponho no berçário como se estivessem de quarentena, e é lá que lhes dou os últimos retoques. Um nariz, uma orelha... Deixá-las a cara do pai enquanto escrever é uma brincadeira que levo muito a sério.


Não querer o que todos querem não significa não querer nada. Não querer o que todos querem pode muito bem ser um belo e gigantesco sinal de vontade própria.

Pra sentir o que sinto nem sempre é necessário estar me expondo. Às vezes, sem que ninguém saiba, uma! Apenas uma sensação somente, vaga dentro de mim durante anos. O mesmo e velho sentimento sem que ninguém o note.

A questão vigente não é mais se aprofundar nos pensamentos e sim se libertar deles, porque é preferível aceitar os fatos a imaginar hipóteses.

Em um processo do processo cujo sou um ser inacabado, meu coração canta uma música e ela é psicodélica.

O universo de Hume e o próprio grande Hume fazem parte de uma noção complexa que um dia Derrida a de derrubar. No entanto, é somente através do desconstrutismo que batizo como o mecanismo mental que fez e agora desfaz o mundo, permitindo aos pensamentos se libertarem.

A deriva de qualquer uma das minhas forças internas, estou a naus num mar raivoso e sem dono sempre me deparando com portas que não condizem com a vida que desejo.

O cérebro trabalha igual a uma máquina em suas operações mentais vazias que chamamos de amor, na incessante busca de uma causa e as conseqüências de sua ausência.





Ricardo Magno

18 de agosto de 2011

O Despotismo Materialista e o telespectador Bonner Simpson




Os vagabundos de consciência não limpa entendem por conduta ilibada o péssimo hábito de se auto-flagelarem como desculpa para continuarem evitando o enfrentamento contra a vida, a realidade social. Mas foi na escolha dos meios para alcançar os fins sempre tendo em vista a autoconservação, que ocorreu a automatização da razão instrumental provocando como conseqüência a adaptação ao meio de maneira conformada. Por isso, andar no limiar do Tanatos não fazendo disso um suicídio é o caminho inevitável para a liberdade quando os principais valores racionais referentes a vida, justiça e liberdade se tornaram os filhos imbricados de contradições inerentes realizando na busca coletiva da sobrevivência da sociedade um mero jogo pessoal inconsciente que cada um pratica consigo mesmo em vista de desejos preferenciais. Pois o herói valente que busca a vida sem dar o braço a torcer as convenções e organizações sociais da atualidade só conseguiu sobreviver no arcabouço da comodidade a partir da formação de um indivíduo covarde que nem mesmo ele sabe.

Ao contrário do que Alain Besançon disse, é o capitalismo que toma por hábito, semelhante a atitude das células cancerígenas, sempre sugar a vitalidade dos órgão indispensáveis para a sobrivência, não o bastante até o liquidá-los, porque assim então o próprio parasita tomaria a mesma sorte. É que os mecanismos de dominação das massas desenvolveram a consciência de si mesmos, e com isso encontraram maneiras de amortizar os impactos do progresso histórico baseado nas lutas de classe revelados pelo prisma da dialética materialista. Não é mais rebeldia o som do rock e há muito os efeitos do comunismo foram controlados e passaram a agir de maneira com que os seus resultados sejam minimizados pelo ápice das Leis Trabalhistas e os falsos avanços de sanções socialistas oriundas da mentalidade marxista remanescente em alguns meios universitários, a contemporânea geração Cruj de ultra-revolucionários. Mas esses métodos não funcionam mais, embora continuem sendo melhores do que não fazer nada e permitir a novas amordaças um modo muito peculiar de gerenciar perpetuando o capitalismo em um estilo de materialismo déspota, no qual conscientes ou não, se submetem grande parte da humanidade.

Em um mundo de analogias se um quadrúpede tem rabo também pode ser aerodinamicamente racional construir aerofólios para os automóveis. No fracasso da hermenêutica os veredictos do Direito acabam se transformando em decisões arbitrarias embasadas por leis feitas fora do estado de natureza dos homens em vistas de um suposto aperfeiçoamento das relações sociais, mas que na verdade, contudo, acaba lhes sufocando. Em teoria dialética se resume todo o decurso dos debates da história filosófica entre os racionalistas e empíricos no que ficou intitulado como A Virada de Copérnico, elabora por Immanuel Kant. Na conjetura dos embates cognitivos ele afirma que ambos pensamentos estavam parcialmente corretas e equivocadas, pois o conhecimento humano só poderia ser gerado através das experiências feitas por meio dos sentidos. Entretanto, a mente não é um receptor passivo. De alguma forma secreta semelhante a uma caixa preta ela opera sobre os materiais do saber os moldando igual à água ao jarro. Não à toa, em consonância consciente ou não com as revelações de Kant, em décadas subseqüentes, os grandes estudos psicológicos behavioristas e gestaltianos se contrapuseram por um simples detalhe em que aqueles, de maneira simplista, definiam os processos da mente na unilateralidade dos estímulos-respostas enquanto estes assinalavam um fenômeno peculiar entre os instantes do input e o output. Pois bem! Se a anos a filosofia e a psicologia já vinham confirmando as reações do comportamento humano na aquisição do conhecimento, e portanto, na difusão de informações, então por que até há alguns poucos anos somente as teorias da comunicação em seus modelos informacionais nutriam uma fé incoerente nesse mecanismo de transmissão emissor-receptor como se o último fosse totalmente passivel? O exemplo é um clichê de um personagem de desenho animado chamado Homer Simpson. Vai ver que os verdadeiros Homers, ou ao menos os mais prejudiciais deles em efeito de larga escala, na hora do jornal estejam sentados do outro lado da televisão. E pela sua função social e alto grau de ética e competência profissional, não os encontraríamos em um sofá, mas sim em seus mezaninos em ambientes climatizados.



Ricardo Magno

10 de agosto de 2011

Ismália Pornográfica









Quando Ismália fudeu
Expôs-se na torre a trepar
Viu uma prega ser arremessada ao céu
Viu outra prega ser imersa no mar

No sonho em que o pau meteu
Banhou-se toma em esperma
Fornicava que ia ao céu
Refrescava a periquita no mar

E, nos delírios em que deu,
Na torre pôs-se a masturbar
Estava perto do céu do cú
Estava longe de defecar

E como uma ninfeta moveu
As pernas para gozar
Queria nua no seu
Queria a sua provar

As pernas que Deus lhe deu
Alternavam uma para lá e outra para cá
Sua alma subia ao céu
A xana derramava mel


... Em um júbilo que a desfalecia de tanto dar







Homenagem ao poeta simbolista Alphonsus de Guimarães





Heitor Monte Cristo



4 de agosto de 2011

Badja Djola


É através do prazer que se aumenta a vontade de viver, enquanto o ócio e a pobreza são puros e simples Tanatos.

Ela conheceu o meu id antes mesmo de conhecer meu ego, antes mesmo de me conhecer. E agora a terceira dimensão do meu caráter está toda exposta.

Extrair o sumo de onde não há mais essência! E mesmo com o desgate das palavras ainda ser capaz de expressar coisas novas.

Uns dias de fartura, outros dias sem nada. Uns dias na abonança e outros comendo migalhas!

É quando me proíbem de algo que mais desejo infringir tais leis. É quando me dizem para não fazer algo que mais interpreto a mensagem como uma auto-sugestão para que eu o faça. E assim vou desobstruindo caminhos e provocando mágoas.

É arriscado e tentador ousar experimentar os sentimentos mais belos. Entretanto, melhor do que vivenciar as coisas sublimes é se manter acima delas.

Só aceita correr riscos quem não tem nada a perder ou quem já perde tudo. Portanto, muitos que nunca tiveram nada, por receio, continuam não arriscando.

Após fazer sexo, o aroma perdura por algum tempo, excitando no mesmo compasso do cheiro de ondas nasais.


Ricardo Magno

28 de julho de 2011

A Ferradura de Newton e o Pé de Coelho de Aristóteles



Não há melhor remédio para o alcançável do que nosso próprio esforço em vista do grau de interesse na realização prática e objetiva dos atos. Pois, para tudo o que é possível, o homem que não é preguiçoso e acometido de sabotagens psicológicas, vai lá e faz, deixando somente o resto dos feitos considerados impossíveis a acordo de uma entidade que possa nos ser superior. E mesmo assim, sem saber que era impossível, uns ainda foram lá e fizeram.

É sempre do local mais profundo da alma que nasce o acreditar no simples gesto simbólico de se ajoelhar o poder de se conectar com a entidade mais poderosa da existência humana. E não estando muito convencido disso, outros provavelmente te diriam: “É porque te falta fé!” Mas fé em que? No que pode vir a se tornar o suposto ou em mim mesmo, ora bolas!

Se sentir assim é observar neste sinal religiosamente existencial de reverência cada vez mais a sensação de estar conversando com o espelho, mas, de olhos fechados. E se mesmo assim nessa barganha inconsciente os pedidos se tornarem realidade, então é aconselhável manter a tradição cega e continuar efetuando nesse ato todas as edificações que nos seriam inalcançáveis sem o divino gesto, mesmo que seja mais por superstição do que por fé, no apelo comovente da aquisição do impossível, onde quer que ele se esconda, se é que, em si tratando do possível, o homem vai lá e faz.




Heitor Monte Cristo

21 de julho de 2011

Maria Negra



Com a marca indelével de nossa origem, a prostituta imaculada dos cabaret de Israel era aquela que orava mais por superstição do que por fé. Black Mary, a estrela escarlate de uma constelação de meretrizes infernais, a santa perdida e noctívaga de Gólgota, o espectro de Lilith que sempre está a rondar o morro dos túmulos com o seu manto azul escuro em que cintila as sombras das lágrimas do firmamento.

No tabuleiro universal da irmandade ela é o lado negro da própria bondade em representação a mãe doida de um filho abandonado cuja lógica é o querer embalsamado de irracionalidade nas noites tristes em que não há estrelas ao redor da lua. Em seus atos sempre está implícito o conflito da cromoterapia contra a alvidez da pele na qual o coração é o maior dos maiores reinos das trevas.

Três forasteiros montados a camelos ganharam as suspeitas da sua herança sanguínea patrilinear. E para cada parte do seu embrião gerado em suruba, cada um contribuiu com generosidade. A se rastejar pelo chão árido de Jerusalém em meio a arbustos de gramínia, a sua mãe era a serpente negra da cor do asfalto ardente que soltava larvas do rio de Tântalo como uma louca que durante a noite falava com a lua, mas não acreditava em deus.

A Estrela da Morte começou a sentir inveja de todo o invejoso que não a invejava quando foi descoberto que a ponta do dedo que concedeu vida a Adão não era da mão de Deus, e sim, a de um macaco. E para os Cavaleiros da Aurora nenhum Pactum Pactorum poderia mais ser realizado após a descoberta da inexistência da alma.  Um dilúvio de súplicas e santificações por terra abaixo, pois o diabo cuspirá na sua cara.




Heitor Monte Cristo

15 de julho de 2011

Burgueses


Para fazer um ménage, não à toa no dia em que seria o dia mais feliz da minha vida, o Dia Internacional da Água, a Hebe Camargo convidou somente mulheres para participar do seu programa. Uma homenagem ao dia do elemento escasso. Pois fazer mulher calar é a mesma coisa que fechar as comportas da Hidrelétrica de Tucurui. E ainda é necessário um plano de racionamento.
        
O High School Bibas é em Imperatriz do Maranhão. E é daí que surgiu o Bibismo. Graças a programação da Globo, nem todo moleque assume a “situação de homem”. Filmes pornôs viraram moda quando a área própria da evacuação comece a receber carregamentos de grandes toneladas que entram e saem com mais solides do que as fezes. E cada vez mais meninos se acostumam a fazer isso consigo mesmo. Freud discorda. Foda-se o babaca.
        
Em um mundo do acaso, se a religião diz uma coisa, a natureza outra e ninguém ouve nada, pouco importa o que é visto como certo ou errado, adequado ou inadequado. Agora os Emos estão aqui e tudo virou androgenia. Tudo bem! Se não somos nós a obedecer as nossas próprias leis, então quem será que irá nos comandar da próxima vez? Menos mal que seja tu até mesmo quando não se percebe!
        
Em tudo o que fazemos, mesmo não entendendo, está a busca pela essência. Uns cavam para baixo em uma espécie de viagem ao centro da Terra, enquanto outros fazem o movimento para cima rumo ao céu em uma viagem intergaláctica no universo que é infinito. E é sempre quando os ruídos quase que inaudíveis se tornam altos a ponto de ferir os ouvidos é que percebemos o quanto a nossa hipersensibilidade já foi ativada.
        
A vida não gira em torno de moedas, e sim, de estrelas; pois é assim que se faz um belo e verdadeiro profissional das atividades artísticas espirituais. No drama do sexo, enfim pode-se acordar do pesado sono do cansaço amoroso e das desilusões.
        
É assim que se fazem menos que os burgueses continuando sem saber se o que acontece era o que realmente tinha que acontecer. Mas agora com a certeza absoluta de que o que aconteceu, depois que aconteceu, passou apenas a ser o acontecido.


Ricardo Magno

6 de julho de 2011

G17: Orgia em motel termina com uma mira na goela




Pior do que leite de soja. Uma fatalidade da porra! Pois se a Garganta fosse um pouco mais Profunda o incidente poderia ter sido evitado. Mas não adianta avisar! Quase todas as mulheres são assim: dá-se uma bola e logo elas se acham no direito de arrematar todo o saco escrotal. Neste episódio não foi diferente. Uma tragédia sexual a provocar a morte de uma mulher. Durante a prática oral, na reta final da relação, ela teria se engasgado com o esperma do amante.

Como em uma piada tragicômica, o amante tinha 29 anos, seis de celibato, e muita gala reprimida. Ao perceber que a companheira tinha se engasgado ligou para os funcionários do motel, e em seguida para o marido dela, de tão desesperado que estava, usou o celular dela e ligou até para o cara. Chegou a gritar no telefone: “Corre, vem pra cá que sua mulher está morrendo engasgada com o meu sêmen!”, disse o amante, sem nenhum tom de chacota ou deboche.

O marido, agora viúvo, não podia acreditar que realmente se tratava da ligação de um amante da sua esposa. Ingênuo ou mesmo não querendo acreditar na fatalidade vergonhosa, pensou que era trote e desligou o telefone. Em seguida, uma nova ligação. Desta vez os funcionários do Motel confirmaram a tragédia, o que fez, por fim, o traído acabar se convencendo da infeliz verdade em que ele havia sido o eleito desta múltipla má sorte.

Na busca pelo nexo de ligação entre os eventos catastróficos do acontecido, a Polícia abriu inquérito, B.O e corpo de delito para apurar o caso e comprovar a causa-morte, e de quem realmente era a gala. Prometeram guarda segredo quanto aos nomes dos três desgraçados. A Delegada responsável disse que só iria falar após concluir a coleta do material acusado.

Com a brincadeira, a notícia passou a ser replicada por todo o interior do estado, e novas histórias começaram a rolar com garotos morrendo masturbados. A onda de casos semelhantes ficou tão grave que a UNICEF foi obrigada a constatar que o alimento mais nutritivo do universo é o pênis. A entidade teve que comprovar que este membro utilizado em excesso ou se tentarem engoli-lo muito rápido poderá dar consequências a acidentes muito graves. 

Depois de a perícia detectar tanto liquido no local, levantou-se a dúvida se ela teria morrido engasgada ou afogada. Em reconstituição ao fato, os criminalistas chegaram a conclusão de que após o primeiro litro de sêmen despejado ele teria a matado enquanto ela morrido, ambos na tensão de um prazer explosivo que trouxe efeitos contrários nos excitados.

Um terneiro na marca do boquete! Uns começaram a desferir esta piada. E só não deram farinha para ela desengasgar porque ficaram com medo da mistura se tornar uma grande gororoba. Então o bolo de gororoba levaria ao fim a mulher encharcada de sêmen em uma goela lisa.




Heitor Monte Cristo