16 de fevereiro de 2011

Miami




Mais um final de semana escaldante no tradicional vôlei de Pompano Beach. É verdade! A vida ri para nós. Qualquer festança em Punta de Leste perderia feio para Palm Beach. E o Jim Morrison? Foi para o oeste fazer faculdade de cinema e tentar se livrar do conflito clássico que todo escritor tem com a sua cidade. Curtia tanto LSD nos finais de tarde à beira da praia que nem era mais capaz de discernir se eram as ondas que balançavam, se seu pescoço estava quebrado ou se estava dentro de um carro passando por milhões de quebra-molas. E mesmo assim eu admiro muito o Jim Morrison.

Quando eu ainda nem era criança, em meio a um momento alucinógeno acompanhada de uma das maiores bad trips da história fonográfica, ele baixou as calças e fez toda uma platéia drogada entrar em ilusão coletiva ao pensar terem visto as suas partes baixas. Mesmo assim eu respeito o Jim Morrison. Escrito e descrito no Livro dos Sábios, profeta não tem valor estando na sua própria terra. E eu não estou falando do dicionário.

O retorno é para aqueles que um dia foram embora. Quem sempre esteve aqui não precisa voltar. Pois desde o final da infância, em meio as paredes tímidas da sala de aula, eu já era o Imperador da escola e ela já era um sinônimo de vida, a Imperatriz de minha cidade. Então eu sei que ela sabe que eu sei que ela sabe que ambos têm conhecimento! É que o coração, em qualquer que seja a situação, sempre fala mais alto em uma linguagem que ninguém entende.

O que restou daquela época foram lembranças em forma de grãos de ouro que não se esvaem com o vento de um verão elétrico próximo ao mar azul do Caribe com músicas de fortes batidas regado com muitas doses de Tequila e charutos cubanos a velar casais bêbados em uma cama embriagante nas dunas dos Lençóis Maranhenses repatriado pelos goianos. Até o Fidel Castro foi algumas vezes lá só para me ver observá-la de longe enquanto ela achava que ninguém a percebia, in off! Conversas trocadas pelo MSN.

De lá para cá, no filme que se repete constantemente dentro do meu cinema, várias vezes foi vendida a mesma televisão só para eu ter a oportunidade de vê-la mais uma vez ir comprar pão enquanto me afogo no oceano da saudade em meio a frases com palavras baratas a ouvir o maior hino de amor dos pseudos intelectuais, o Último Romance dos Los Hermanos. Pois todos a percebem onde quer que ela passe, wonderful tonight!

Para os colonizadores espanhóis, um nome sugestivo para jardins floridos, Flórida! É que desde quando inventaram o Zé Carioca, eu já havia colocado um pé em Orlando. Embora meu coração bata forte pela perversão da Cidade dos Anjos, é na Walt Disney World que o Mickey Mouse até hoje samba sobre o meu miocárdio. E lá também existe a estética dos cirurgiões plásticos doidões que fazem qualquer incisão de correção em unhas encravadas apenas por dinheiro fácil em busca de narcisismo exacerbado. Na cidade de Porches e Ferraris, Californication! Mesmo assim o Hank é imbatível.

Esqueça Ibiza ou Saint-Tropez. Tampe os ouvidos quando ouvir falar de Cacún! Pedro Kraytos! Por favor, continue prendendo os prefeitos. Pois no meio do ano eu já estou indo para a ilha CSI versão SLZ me tornar o grande homem que eu sei que sou e que sei que ela me fará ser quando estiveres em definitivo do meu lado. One, two, three, four... samba ao invés de rumba.

No compasso do drum 'n' bass californiano, em uma espécie de Los Angeles decaída de todos os anjos, meus olhos ressacados te procuram enquanto sai fogo do encontro da lente com os raios. No entanto, nada disso me importa, pois me sinto maravilhoso de tão longe logo ser irradiado pela luz do outro lado do Atlântico. E a grande maravilha disso tudo é que só você não percebe.

Enquanto isso! Miami, me ame. Ohhh... Trocadilhozinho pobre! Mas eu não poderia deixar de tê-lo feito.


Ricardo Magno










1 Comentários:

Juh Salomé de Beauvoir disse...

"Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before,
I know I'll often stop and think about them,
In my life I'll love you more..."