23 de agosto de 2010

As aventuras sexuais de um maranhense com viúvas e desquitadas





Acordo. Tento entender o que é que estou fazendo neste quarto penumbroso e abafado. Respiro fundo. Ao meu lado ronca, gemebunda, uma criatura. Nua. Um imenso manjar branco, trepidante e gorduroso, ressona profunda e satisfeita. O ar viciado da alcova mistura o odor do meu perfume másculo com os cheiros de sexo dormido. Agora tudo faz sentido. A farra do Terraço, a mesa das coroas, a viúva do policial e outras viúvas teúdas e manteúdas das repartições públicas: viúvas do Banco do Brasil, viúvas da Polícia Civil e Militar, da Marinha e da Câmara Legislativa. Pensões razoáveis, silhuetas avantajadas. A viúva do delegado se exibia exuberante e oxigenada. Conversa fiada, papo furado, galanteios e na mesa das viúvas na seresta do Terraço eram só risadinhas histéricas, fungadelas e piscadinhas marotas. As coroas, de repente, voltaram vaidosas aos tempos do Clube Recreativo Tocantins.

Convidei a viúva do delegado para almoçar no Farol, local discreto e secreto, comida razoável, preço conveniente. Eu convidei, ela pagou! Enchi o prato, a gorda, fingida, beliscou uma salada. Papo furado, conversa fiada. Ela desfiou a vida toda, inteirinha. Mulher é assim: adora alugar um ouvido. Filha de militar, infância em Grajaú e professora por alguns anos do Liceu Maranhense. O casamento com o delegado, na época, de segunda classe, recém-saído da universidade, e aquela rotinazinha castrense de circular pelo país de norte a sul, de cabo a rabo, por ceca e meca, supervisionando as coletivas das operações de drogas e a manutenção, impecável, dos campos de futebol das prisões por este Brasil afora. As fofocas usuais da regional, as promoções, as caronas e a mulher dadeira do secretário de segurança. E então veio o primeiro filho. Troca de delegacia, troca de cidade, outro filho, uma promoção e toca para Manaus. E mais um filho, agora filha, e mais mudança. Desta vez para uma regional de fronteira, em Uruguaiana. E mais uma promoção e mais uma filha, até a volta ao Maranhão, para a capital do estado. Veio o 31 de março. O delegado (naquele tempo ainda pau mandado) era bem relacionado, foi designado chefe da regional do sul do Maranhão, salário maior e melhor, em reais mais despesas e depois, de volta a terra amada, veio à reforma e uma diretoria no departamento. O delegado morreu, de repente! Enfarte, comendo uma balconista do Supermercado Mateus “que ele ajudava”. Cafajeste! Escutei tudo, mas não ouvi nada.

A senhora pode abrir o seu coração para mim, eu sou do bem.
A senhora não! - protestou vaidosa a coroa. - Você. Pra você, só você...

Convidei a viúva do delegado para uma tertúlia matinal no Clube Juçara. Um musical leve, obra completa da jovem guarda. Fomos de táxi. Eu convidei, ela pagou. Fingindo distração, rocei na sua mão. Ela enrubesceu. Desce a noite, eu sugeri um chope gelado na Coronel Manoel Bandeira. Eu convidei, ela pagou. Papo furado, conversa fiada. A empregada, a novela, os netos, receitas de quitutes e solidão. Muita solidão! Acompanhei a viúva carente até a porta de casa. Rua Godofredo Viana, uma das casas mais chiques do bairro. Convidou para subir. Só um copinho de água e, quem sabe, assistir junto à novela. Subi. Varanda ampla, antigo, cheio de tudo e mais um pouco: porta-retratos, lembranças de viagens, quadros de gosto duvidoso, na sala de jantar um enorme preto-velho segurando um cachimbo presidia o ambiente. Na sala principal, aquela paisagem clássica dos cavalos fugindo do fogaréu. Pendurado na parede da copa agonizava um escudo do Sampaio Correia Futebol Clube. Era o time do delegado. Na cozinha, o liquidificador vestia uma capa que imitava uma saia.

Ligou a tevê e, em seguida, ofereceu um drinque. Um White Horse. Bebemos. Mais um. Mais dois. Eu detesto White Horse. Perguntei se tinha uísque. Tinha um Black Label guardado, ainda dos tempos do finado delegado. Resolveu me acompanhar. Mais um, mais dois, mais três. Eu podia ter dado um “Boa noite, Cinderela” na viúva. Mas eu não sou assim: Você pode se abrir comigo, eu sou do bem.

Peguei a coroa. Ainda no sofá, arranquei a saia da viúva do delegado e chupei aquela boceta murcha, encarnecida, quase careca. Ao fundo, como trilha sonora, o Jornal Nacional. A viúva do delegado gemia pálida e seminua no sofá. Há muito aquela xavasca não via a cor de uma piroca. Aliás, sem modéstia, uma bela piroca. Levei-a no colo para o quarto e botei a coroa pra chupar minha vara. Enquanto ela mamava gulosa, eu quase pedi para ela tirar a dentadura, mas desisti. Não ficaria bem. Meti a churumela na coroa de tudo que era jeito. Eu gosto de fazer a felicidade dos outros, faz parte da minha missão. E a coroa dava tudo de si. Suava, babava e gemia. Parecia que estava fodendo pela última vez na sua vida. E pela primeira vez também. Eu entendo isso, eu sou guerreiro.

Mas a viúva do delegado urrou mesmo foi quando eu botei ela de quatro atochando a minha peia fumegante naquele cú gordo e untuoso. E comer um cú não é tarefa fácil, não é um coito trivial. Tem que ter a ereção a cem por cento. Não tem meia bomba, nem três quartos. Tem que ser ereção de cem por cento. E comer um lorto velho é muito mais difícil. Cú de velho é frouxo, o esfíncter não apresenta a mesma rigidez de um burrão na força de sua juventude. Todo mundo sabe que, para o coito anal bem-sucedido, o passivo, o receptor, tem que contrair a musculatura, como se estivesse evacuando. A rigidez muscular do anel de couro oferece o apoio adequado para a penetração do caralha entumescido na furna escura da caverna retal. E o meu dezoitão não nega fogo. Eu sou guerreiro. Foi tudo na prega rainha da viúva do delegado, que rebolava jurando que nunca tinha feito aquilo antes.

Com o testemunho risonho dos netos no porta-retrato da mesinha de cabeceira, gozei naquele rosto avoengo, igualzinho aos filmes de sacanagem. O odor do meu perfume másculo misturava-se aos odores corporais do sexo animal. A viúva do delegado agradecida era toda felicidade. Jurou amor eterno e insinuou a possibilidade de uma viagem para os Lençóis Maranhense. Fingi que acreditava. Eu sou assim, eu sou do bem.

Desligo a ducha e me enxugo cuidadosamente. Penteio o cabelo e visto minha roupa devagar, sem fazer barulho. A viúva do delegado sonha enquanto eu vou até a sua bolsa e, de dentro da carteira, retiro uma das quatro notas de cinqüenta. É para o táxi. No espelho do banheiro escrevo com batom “Eu te amo”. Eu sou assim, eu sou do bem...


... Eu conheci a Cláudia no dia em que resolvi presentear a Fernanda. A Fernanda era uma criatura que eu estava comendo, secretária particular no escritório de um figurão da política regional que mora nos Três Poderes, mas isso é outra história. Passando pela frente de uma das butiques do shopping, reparei na vitrine as calcinhas fio-dental, minúsculas, provocantes, com um penacho no lugar em que se acomoda a boceta, e concluí que, presenteando a Fernanda com uma daquelas, poderia garantir a contrapartida de uma noite de sexo anal e outras perversões que eu tanto aprecio. Entrei na loja e a gerente, sorridente e solícita, me atendeu em pessoa. Sabe como é, homem comprando calcinha, ainda mais sendo atendido por uma vendedora bonita, já é, por si só, ponto de partida para um conto erótico. Separada de pouco, a Cláudia andava matando cachorro a grito e não se fez de rogada para embarcar nas piadas de duplo sentido que eu fazia, enquanto examinava a mercadoria. Percebi na hora pelo olhar triste da mulher, apesar do sorriso comercial, que aquela criatura era toda carência e solidão e, a essa altura da história, todo mundo já sabe que eu sou assim, eu sou do bem.

Para uma mulher descasada, não é toda hora que aparece a oportunidade, ou mesmo uma vaga probabilidade, para uma foda eventual. E, conforme pude comprovar mais tarde, a Cláudia, apesar de mãe e arrimo de família, se amarra numa sacanagem, mesmo porque na idade em que está vive a plenitude de sua energia sexual. Tem PhD em putaria e sabe tudo do assunto. Não tem mais nada a aprender. O problema é que hoje em dia, com a falta de homem, de homem de verdade, a Cláudia, assim como 110 por cento das mulheres solteiras comíveis desta cidade, está longe de usar toda a extensão de sua capacidade sexual instalada. Já se acostumou a ouvir as queixas das moças de que não tem homem no mercado. Se tem um cara bonito, bacana, sozinho quando elas, as mulheres carentes se aproximam, ou o cara é viado ou então, pior, problemático, cheio de papo cabeça, não sei quantos anos de análise e outras querelas existenciais e, na foda, que é o que interessa, o cara é um fiasco.

Resumindo: comprei duas calcinhas. Uma para a Fernanda e outra para a Cláudia, que convidei para sair e depois dançar numa boate. Fiz questão de dividir a despesa. Eu sou assim, eu sou do bem.


Texto contextualizado com fatos reais do original de Marcelo Madureira publicado no livro Meu Querido Canalha

5 Comentários:

Jairo Sade disse...

Cuidado para não pegar um diabétes, nessas tuas comilanças trans. hahaha...

Ricardo Magno disse...

hahaha! Pode deixar.

Juh Salomé de Beauvoir disse...

Oh seu Lobo Mau (e solitário...) tu vai ter é uma congestão, isso sim!!! hahahaha.(bem que eu percebi q a lua tava cheia...) kkkkkkkkkk

armando disse...

Sei bem que estás é pretendendo uma parte do FUNRURAL da coroa!!! Grande Abraço,

noturno disse...

Perfeito velho !!!