16 de novembro de 2010

Ariadne





Acabei de ti conhecer e tu já estas indo embora? Maldita hora em que nossas vidas se cruzaram. Mas antes tarde do que nunca! Mil odes de amor escreverei em teu nome, a verdadeira Ariadne de todos os meus paliativos.

Não muito diferente de agora, quando tu fores embora, sentirei o mesmo vazio desse instante, o que logo tão cedo me apavora só de imaginar a nossa despedida. Igual a um Dante percorrerei eternamente pelos cinco infernos proclamando o teu nome santo, procurando por ti e a defender a tua honra enquanto meu corpo coberto por chamas e pela dor insuportável da saudade, se esvai em brasas.

E os lugares por onde passastes, as recordações que em mim deixastes serão lacunas incomensuráveis na parede de uma memória inesquecível.
Oh, Ariadne! Tu nem ousas imaginar de onde eu vim, quão densa e sórdida sempre foi a minha jornada! Quantos desfiladeiros, morrendo de medo, já tive que cruzar. Quantas noites solitárias já tive que passar na companhia de seres abjetos oriundo de um acaso qualquer. E as batalhas horrendas? Nem ousas contar quantas cabeças foram decepadas por minha espada, quantas vidas sucumbiram diante de meus olhos, e quão gélido foi o meu coração diante da maior de todas as trevas sem sentir nenhum remorso.

Pois bem! Após a vida ter feito de mim esse monstro vazio de silêncio e sangue, corpo e lágrimas. Depois de eu ter realizados as maiores cruzadas em volta do mundo, e visto e me perdido ao me tornar de perto o ser mais bárbaro que podia um dia vir a ser o homem, como se para a vida ainda não fosse o bastante, como ela pôde ser mais cruel ainda comigo me trazendo para este fim de mundo, quando de certo eu estava crente do meu regresso e do fim de minha jornada, para aqui, diante de ti, olhando dentro de teus olhos, um singelo raio de luz me partir ao meio e no fim de tudo, Eu! Através de um amor que jamais eu esperava, porque nunca a mim foi prometido, finalmente me reencontrar na minha mais crucial e verdadeira derrocada.

Oh, Ariadne! Mil homens num campo de batalha com arcos, flechas e espadas, não foram capazes de fazer comigo o que tu fizestes em apenas um olhar singelo. Agora! Ao ti conhecer, pode-se dizer, que eu dei início a uma verdadeira obra. Pois antes era diferente. Eu somente estava apontando o lápis.

Ricardo Magno

1 Comentários:

Juh Salomé de Beauvoir. disse...

Tú é safado, fiquei com os olhos cheios d´água agora...culpa tua. hahaha!!!! Extraordinário!!!!
Xero...