23 de novembro de 2010

O Aniversário dos Sonhos






Sem dúvida esse foi o melhor aniversário que ele poderia ter. Nada de churrasco na beira da piscina com os amigos, ou uma rodada forçada de chope no bar da esquina. Chega de monotonia e formalidades! O lance dessa vez foi todo mundo cair para um parque de diversões onde crianças não entram e bonecas são bem vindas.

Ela conversou pela internet com os amigos em comum sobre a idéia e eles de imediato concordaram. Perguntou qual seria a melhor opção e eles sugeriram o “Pharras”, mês de aniversário, então dava pra pegar aquela suíte master com um desconto camarada. Ligou na véspera e reservou logo a cobertura com vista para o mar e com tudo que ele tinha direito – banheira de hidro, palco para performance, cadeirinha especial (para brincadeiras mais pesadas)... Enfim, era completo, ele iria gostar.

Durante os preparativos, ela ainda ligou para duas amigas e as convidou para ir às compras, o destino: Sex Shop do centro. Era o mais descolado, tinha mais variedades. E vez por outra, em meio à conversas de meninas recatadas que sozinhas poderiam citar comentários despudorados muito distante de seu caráter de mulher séria, por um lance de desinibição ela pensou: “Será que ele também não iria adorar um ménage?” Tão rápido veio e mais ligeiro ainda se foi essa nuvem de idéias perniciosas: “Imagina se ele um dia já havia pensado nisso. Não! Jamais! Além de ser um homem de princípios, austero, um "super homem", ele me ama e somente a mim completamente.” Assim ela se esforça para dissipar (reprimir) a própria fantasia. Equipamentos em mão, hora de encomendar “O bolo” e as bebidas – Ela comprou cereja e glacê, iria deixá-lo livre para “decorá-la” como bem quisesse. Com relação às bebidas, champanhe, tequila e vinho da melhor qualidade. Era pra deixa a galera “ligadona” mesmo.

Na véspera, combinou com ele que iria pegá-lo no serviço, iria raptá-lo para a “farra”, (no “Pharras”). Seria uma comemoração, no mínimo, diferente. No dia D, ligou para um casal de amigos em comum, pra confirmar e explicar como seria o esquema. Aproveitou e sugeriu que eles chamassem mais outros amigos que topariam comparecer. Não poderiam correr o risco de ter algum estraga prazeres pseudo-moralista, cheio de frescuras, que não topasse entrar na festa...

Era quase 18h e ela já estava ficando ansiosa. Passou em casa para pegar todos os acessórios do “kit festa-privê” e se produziu devidamente para esta ocasião tão especial – um banho demorado com ervas aromatizantes, um bom óleo de amêndoas pra deixar a pele mais macia ainda: “barba, cabelo e bigode”; e no composé: bota cano longo de salto fino, meia arrastão preta, cinta-liga, calcinha fio-dental (comestível), espartilho preto, luva 3 oitavos e chicotinho, pra maltratar o coitado, cabelo semi-preso pra deixa a nuca à mostra, um gloss escuro, uma maguiagem leve, umas gotas do Chanel n°5, e voilá! O show vai começar!

19h. Tudo pronto! Ela botou um sobretudo por cima, se dirigiu até o escritório dele, no centro da cidade, e o apanhou para a sua, ou melhor, a grande noite deles. Ao entrar no carro, ela o advertiu logo:
“Tira a gravata!” – E antes que ele pudesse terminar ela mesma a arrancou de supetão e usou-a para tampar os seus olhos. Mesmo sabendo que a milhas de distância ele seria capaz de escutar, foi sacana e sussurrou toda cheia de malícia, ao pé do ouvido: “Feliz aniversário, meu amor! Mas só mais tarde você vai poder desembrulhar o presente. “Te amo!” – Disse ele, ainda atônito em meio aquele misto de mulher que ele mais ama e uma fera devoradora de homens com grande potencial para a sacanagem somente liberado agora. Se sentiu um pouco assustado, pois nunca havia a visto, dentre tantos anos, dessa forma. A mulher de sua vida, aquela de tantas formalidades. Sem enxergar nada e depois de muitas caças, agora ele se sentia a presa. Então ele disse mansinho, até com um pouco de receio em receber a resposta: “Para onde nós vamos, querida?” “Segredo!” – Ela respondeu mordendo de leve a orelha do seu macho e seguiu lentamente até a sua boca a pressionar suavemente seus lábios, afastando um pouco o rosto e ele então segurou forte o seu pescoço e a beijou vigorosamente, escorrendo as mãos por entre os seus cabelos que estavam com algumas mexas pretas soltas. Caiu os óculos. 

“Está usando o perfume que eu amo, não é?” “Claro, querido! É o meu preferido também.” – E então seguiram em direção a Casa de Baco, o “parque de diversões”.

A essa altura ele já estava louco só de sentir o cheiro dela na sua camisa, e começou a conjecturar mil fantasias apenas em imaginar, depois do coito, ela vestida nele. “Mas me dá uma pista, meu amor. Está me levando para onde? Não quer que eu vá em casa tomar um banho, trocar de roupa, e tal?”

“Não, querido. Absolutamente não!” – E sem querer entregar o segredo, levantou apenas o canto direito da boca e sorriu sem ele perceber. Enquanto isso, ela escorregou lentamente a mão na sua coxa esquerda, aproveitando para provocá-lo.

“Cuidado pra não confundir na hora de trocar a marcha e puxar no lugar errado. Se bem que eu não ia me zangar nem um pingo.” Ele aquece o clima brincando.

“Pode ficar tranqüilo, meu amor. Estou me concentrando totalmente no caminho. Por enquanto! As turbinas, deixemos para mais tarde.” Ela se retrata.

Retraindo as habilidades anormais para não estragar a surpresa e fazer o gosto da sua amada, ele retruca: “Mas e aí? A gente já está chegando? Estou ficando agoniado com essa gravata na minha cara.”

“Calma, meu amor! Já estamos quase chegando.” – E nessa hora, ela liga o som do carro e começa a tocar “Sex on fire”, do King of Leon”.  – “Curte ai a música, meu bem.”

“Quer dizer que está tudo pegando fogo?” - E os dois caem em gargalhadas escandalosamente. Agora, no ápice do amor, da excitação e da noite, eles estavam despudoradamente felizes.

“Oh! Mas tu não está me levando para nenhuma comemoração na casa dos meus pais, não é? Sabe que eu me sinto mal pra caralho quando a gente faz farra lá. Nem dá para beber direito. Fica todo mundo olhando torto, com cara feia para nós.”

“Não, meu amor! Pode ficar tranqüilo. Relax and sexy! Confie em mim.”

“Não sei não, amor! Toda vez que tu fala isso eu fico com um mau pressentimento e tenho que te salvar de alguma confusão.”

“Relax, baby! “Hoje a lua é do poeta, mas a noite é nossa, nossa...nossa...(só nossa!).”

“Tu não tem jeito, “né” menina. Não dá pra falar sério contigo. Tu sempre põe uma música no meio.”

“Mas eu não tenho culpa! Sai espontaneamente. Para toda situação eu tenho uma música na ponta da língua, ou na ponta da agulha.”

Depois de 15 minutos transitando do centro até a BR, finalmente eles chegam ao “parque”, com uma hora adiantados até os primeiros convidados chegarem. Sem saber ainda onde estava, ele foi entrando devagarzinho enquanto ela fechava a porta. Ao se aproximar dele, ela pulou em sua cintura e ele a segurou com suas mãos ávidas e generosas em sua bunda. Ele então percebe que ela estava em trajes especiais e a puxa pelos cabelos querendo sentir a sua pele nua. Ela se afasta e o joga violentamente em cima da cama.

“Pode tirar a fenda.” – E ela para na frente dele, contra a luz do pôr-do-sol: Paraíso inesquecível!

“UAU! O que é isso? Eu só posso estar sonhando. Isso tudo... Só para mim?” – Disse ele apoiando os dois cotovelos na cama.

“Sim, meu garanhão. Hoje você merece tudo!” – E novamente ela se aproxima dele e retira, primeiro, o seu cinto, numa rapidez que nem ela mesma acreditava que um dia seria capaz de ter. Em seguida sua blusa, botão por botão. Por último a calça. A esta altura, ele já estava a ponto de bala, quase para explodir como um meteoro qualquer vindo de outro planeta.

“Eu te amo, mulher da minha vida!” – Ele então levanta, envolve-a em seus braços e começa a beijá-la avidamente. Retira o seu sobretudo e novamente ela o joga em cima da cama: “Calma, bonitão! Ainda temos tempo.” – Então, ela começa a festa. Sobe no palco e faz um Strip bem lento e sensual ao som de “Fever”. Nada mais nada menos do que Fever! Põe um chapéu coco e encarna a Dani Carlos. Peça por peça até sobrar, por fim, a calcinha e a bota.

“Desce daí e vem pra cá, agora! É uma ordem!” Ele louco já não agüenta mais.

Com toda a ferocidade de um leão que está prestes a devorar a sua presa, ele a joga em cima da cama e “detona”, com os dentes, a calcinha. Primeiro, ele nela. Depois, ela devora ele. Assim eles brincam: ela com o menino dele e ele com a menina dela. Após os ensaios, eles partem então para o grande round. Vão para a banheira de hidro. Lá se entregam e fazem tudo que têm direito: de frente, de costa, de lado, e enfim, se afogam em orgasmos. Saindo da banheira, vestidos no roupão, vão até a sacada.

“Que vista linda! Parece que eu estou sonhando.” – Disse ele abraçando-a gentilmente por trás e beijando o seu pescoço a contemplarem juntos a paisagem.

“Quer que eu te belisque? Se preferir eu posso te morder também, ai sim você vai acreditar.”  – Ela pega a sua mão e dá mordidinhas leves.

“Amor, tu não está com fome não? Eu estou pra cair.” – E se dirigem até a mesa de frios que ela havia preparado durante a tarde. Queijos, patês, castanhas, torradas, trufas... Tudo do melhor e mais fino, afinal, os dois merecem.

“Daqui a pouco a galera está chegando.”
“Que galera? Quem vem pra cá? Isso aqui vai virar uma orgia? Meu Deus, estou lascado. É hoje que eu morro!" E 15 minutos depois, a campainha do quarto toca.

“Vamos entrando rapaziada.” – Disse o anfitrião, todo feliz recebendo seus convidados.
“Parabéns, cara!” – Disse o primeiro, com uma garrafa de tequila em uma das mãos e o cinto de utilidades na outra. – “Bora beber!!!”
“Felicidades, irmão!” – Fala o segundo ao entrar tão rápido com uma garrafa de champanhe que até ele mesmo mal consegue ver. – “É nós!!!”
“Valeu, cara!”– E em seguida foram entrando, as namoradas, as irmãs, e depois mais dois amigos do “trampo”... A festa estava completa.
“A primeira ordem aqui é ficar a vontade! Pode ficar vestido, pode ficar pelado, pode ficar sóbrio, pode ficar bebaço... A noite é nossa!” – Falou o dono da festa, que já estava entrando no clima para mais uma.

“Quero um segundo, terceiro, quarto round, quantos eu tiver tempo ainda para ter contigo. Quero repetir perpetuamente da mesma dose do melhor prazer do mundo, à noite toda, pelo resto da minha vida, apenas nós dois, simplesmente eu contigo e tu comigo.” – Disse ele sussurrando no ouvido dela e segurando a sua linda cintura. E essa foi, sem sombras de dúvidas, a melhor e maior declaração de amor que ela já tinha recebi em toda a sua vida. Ela confessou para ele, ao pé do ouvido, e ainda solou uma risadinha maliciosa. “Tu "aguenta" ainda?”

“Esqueceu, Lois, que apesar de não ter uma saúde 100% de ferro, meus nervos são de aço? Tu sabe que eu tenho força e disposição o bastante pra te levar nas nuvens. Sempre! Eu te amo!”
“É, Clark. Não tenho mais dúvidas, meu amor. É pra vida toda! Eu também te amo!”

Juh e Ricardo Magno

1 Comentários:

Juh Salomé de Beauvoir. disse...

Imagine que no futuro as pessoas
Vão ler sobre ELES
E vão se admirar do jeito que ELES arrumaram
Pra não deixar de se amar...

;D